Capítulo 1.1 ~ As férias de Tiago.
Era manhã. O sol lutava fortemente contra as grandes nuvens que tentavam encobrir o céu. Definitivamente não choveria, mas provavelmente seria um dia frio. Tiago estava sentado nos pés de sua cama, encarando seu amigo Sirius Black. Desde o fim do seu quinto ano, o garoto crescera bastante. Ele agora estava mais magricela que antes, mas jogava muito melhor quadribol, principalmente em sua posição favorita, Apanhador.
- E então, o que vamos fazer? - Perguntava o garoto, enquanto seu amigo se levantara do colchão improvisado posto ao lado da cama. - Precisamos fazer alguma coisa! - Fala ele, botando as mãos na cabeça, sem esperar resposta.
- Você e suas idéias malucas... - Comenta Sirius, com expressão pensativa. - Se bem que eu adoro suas maluquices.
- Já sei! - O garoto magricela levantara subitamente, de tal modo que seus óculos ficaram tortos no rosto, mas ele apenas os ignorou. Puxando uma folha de papel, tinteiro e pena, ele começa:
Pai e mãe, fomos convidados para ir à casa de nosso amigo, Remo J. Lupin. Sabendo que demorariam a voltar, resolvemos apenas deixar esse bilhete. Lupin precisa de nossa ajuda, mas ainda não temos um motivo concreto para o mesmo. Espero que entendam.
Carinhosamente, Tiago Potter.
- Você realmente acha que eles vão cair nessa? - Sirius lê o bilhete. - Eu, que te conheço menos que eles, vejo que está na cara que é mentira.
- O negócio é montar uma estratégia, meu caro companheiro. - Tiago puxa sua varinha do cós das calças e faz alguns movimentos. Em instantes, um telefone aparecia do nada. - Vamos ligar para nosso amigo Remo.
- Oh, que engenhoso. - Sirius vira os olhos, mas fica atento ao telefone. Ele não sabia usar direito tal "objeto exótico". - Você sabe como se liga?
- Claro que sei. - Tiago apertava os botões rapidamente e fazia cara de desinteresse. Um pequeno estalo pôde-se ouvir.
- Alô? - Uma voz muito conhecida atendia do outro lado da linha.
- Alô, é da casa do Sr. Remus John Lupin? - Pergunta Tiago, fingindo a voz. Sirius abafa as risadas com um travesseiro.
- Sim, é ele. - Responde Lupin, calmamente. - O que deseja?
- Aqui é do ministério da magia. - Lupin dá uma gargalhada, tão súbita que Tiago até lembrou de emparelhar seus óculos. - Qual o motivo da chacota?
- CHACOTA? - Grita Sirius, não se agüentando de rir. - Você é demais, Pontas!
- Ah, parem os dois. - Fala Lupin, do outro lado da linha. - O que vocês querem, usando o telefone assim?
- Queremos um favor, é claro, meu camarada Aluado. - Tiago finge um tom de voz amigável e calmo, mas Remo provavelmente tinha ficado nervoso com o que o garoto havia acabado de falar.
- O que vocês querem, seus irresponsáveis?
- Queremos ir ao beco diagonal, combinamos com duas corvinais lá e avisamos aos meus pais que fomos à sua casa. - Tiago fala tudo bem rápido, para evitar que lupin gritasse antes de saber tudo. - Então, já que você é nosso graaaaaande e melhor amigo, decidimos atirar esse pepino pra você. - Potter sentia que o garoto estava prestes à explodir do outro lado da linha.
- TIAGO, SIRIUS! SEUS CANALHAS! - Gritava Lupin. Sirius podia escutar, mesmo não estando com o telefone no ouvido. Na verdade, ele acreditava que até o beco diagonal inteiro tinha ouvido tal grito. - Eu não vou fazer isso, não vou e pronto.
- Ah, fala sério. Faz esse favorzinho pra gente, vai? - Potter continuava fingindo uma voz amigável o mais que pudesse. Sabendo que sua reação seria negativa, Tiago parte para a decisão mais arriscada. Antes que Lupin falasse alguma coisa, o garoto despeja: - Obrigado, amigão. Sabia que faria isso pela gente! - Terminando, ele desliga.
- Você tem certeza que ele vai mentir? - Pergunta Sirius, desconfiado. Ele sabia como era o lupin, quando se tratava de mentir ou falar a verdade.
- Claro, mesmo sendo um defensor da verdade, ele nunca deixaria de cumprir uma obrigação. Ficaria com peso na consciência. - Tiago faz cara de Sherlock Holmes, sorrindo marotamente. - Vamos? Tenho um pouco de pó de flú aqui. - O garoto tira um pequeno recipiente de couro e o abre, revelando um pó muito cinza.
- Opa, vamos lá. Já devemos estar até atrasados. - Sirius pega um pouco do pó e sai do quarto de Tiago. A porta do quarto dava diretamente na sala. Era uma sala muito grande, toda pintada de branco com móveis e detalhes nas paredes em dourado. Em um canto, uma grande lareira dourada mostrava fortes chamas em um tom azul. Black atira o pó no fogo e ele rapidamente se transforma. A chama diminui, mas fica mais intensa. Sua coloração também muda. De azul, passa para um verde-esmeralda.
- Vai lá, te encontro daqui a pouco. - Se despede Tiago, também pegando um pouco de pó. Sirius havia falado claramente: Beco Diagonal e havia desaparecido nas chamas, que voltaram a ficar azuis.
- Vamos lá, então. - Potter pega o pó e atira nas chamas. Elas ficam verdes novamente e ele pula nelas, falando a mesma coisa que seu amigo. De repente, ele se encontra em um grande escorregador feito de tijolos, suspenso no meio do nada. Por todos os lados, ele podia ver muitas outras lareiras com bifurcações do escorregador principal. Ele estava começando a rodopiar. Sua casa era muito longe do beco diagonal, então vômitos no meio da viagem eram comuns. Ele havia acabado de comer um pedaço de pudim de carne, que agora revirava em seu estômago. Agora, provavelmente Tiago estava passando pelo ministério da magia, uma dedução que não era tão difícil de se concluir, já que dezenas de pessoas dividiam o mesmo escorregador.
Passado pouco tempo, o garoto se encontrava sozinho novamente. O pudim de carne estava prestes à sair por sua boca, mas ele estava mais preocupado em segurar seus óculos, que adoravam se perder na rede de flú.
De repente, o garoto salta de uma das lareiras que davam para o centro do beco. Em sua frente, estava Sirius. A seu lado, uma grande poça de vômito. Provavelmente, era o lugar em que todos deixavam seus restos mortais.
- E aí, se sujou com o pudim de carne do almoço? - Pergunta Sirius, tomando cuidado para não sujar a camisa. - Eu dei sorte e agüentei o pudim até aqui.
- Droga... - Tiago se aproxima da poça e despeja tudo, puxando a varinha. - Odeio comer antes de viajar via pó de flú. - Com alguns movimentos, ele faz todo o vômito desaparecer. Quando eles já saíam do lugar extremamente nojento, uma voz conhecida quebra o pequeno silêncio que havia se formado.
- Sinceramente, vocês não achavam que eu mentiria de tal forma, não é mesmo? - Pergunta tal voz, limpando suas vestes.
- Meu caro amigo Remus John Lupin! - Sirius vira para trás, abraçando o amigo. - Mais conhecido como Aluado!
- O probleminha peludo que a gente tanto adora! - Tiago puxa as bochechas do amigo, que ficam muito vermelhas. Ele não aparentava estar muito feliz.
- Foi sujeira o que vocês fizeram comigo. - Fala ele, sério, se juntando aos dois, que começavam a olhar as famosas vitrines já tão conhecidas. - Eu ia até mentir, mas me veio a grande idéia de vir brigar com vocês ao vivo, sabe?
- Deixa eu ver... Pra não dar pra eu desligar na sua cara? - Caçoa Tiago, enquanto Sirius ria.
- Claro, ou você acha que eu vim no ministério ver a minha avaliação bruxa? - Retruca Lupin. O único que ria diante desta guerra de pequenas piadas era Sirius.
- Pare, seu cachorro pulguento. - Falam os dois em coro, quando Sirius dá os ombros.
- Aonde estão as tais corvinais? - Lupin olha pros lados, interessado. - Vocês não se encontrariam com elas?
- Você anda vendo muita playboy, meu caro amigo. - Comenta Sirius, olhando para a loja de quadribol. - Elas vêm, não sei quando, mas vêm.
- É isso aí. - Tiago também parecia mais interessado em vassouras do que nas corvinais.
- Será que elas não tem uma amiga pra mim? - Caçoa Lupin, rindo sozinho. Os dois se viram assustados para o garoto.
- Cara, você mudou demais. - Sirius fica de boca aberta com a frase do amigo. - Você tem certeza que não está doente?
- Era só uma piadinha, amigos. Vocês sabem de quem eu gosto. - Ele fica vermelho, quando os dois outros garotos abafam risadinhas.
- LORELAI FINGHER! - Falam os dois, em coro, quando Lupin dava um pedala robinho neles.
- E aí, vamos aproveitar o último dia de férias ou ta difícil? - Pergunta Lupin, tirando os outros da frente da loja de vassouras.
- É mesmo, é o último dia de férias. - Os dois nem haviam se lembrado daquilo. Finalmente um novo ano em Hogwarts iria começar.
- Eu vou ver meu lírio! - Comenta Tiago, alegre.
- Aonde vamos primeiro? - Sirius olhava para todas as lojas ao mesmo tempo. Se existia uma coisa que era ruim no beco diagonal, era escolher por qual loja começar.
- Que tal na.. Florean Forescue?! - Lupin aponta para a loja de sorvetes. Tiago e Sirius consentiram, com um sorriso de orelha a orelha. Um sorvete seria ótimo para o início do fim das férias dos três.
postado por Equipe FanfictionsBR às 19:19


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